“Amor é aquela ressaca que assim que passa você diz: “Nunca mais vou beber”, mas acaba ficando bêbado de novo.”
— Pedro Cabral, HOJE VAI NEVAR

“Já notou quanto tempo gastamos apenas pensando nas coisas que deveríamos ter feito naquele momento em particular? Se você deveria ter realmente ter falado tudo o que pensou ou se deveria apenas ouvir ou o que aguentou no silêncio, será que deveria ter revidado? É estranho pensar nessas coisas. As palavras que você não disse, as atitudes que não tomou, os sonhos que não quis correr atrás. Eles podem não ser concretos, mas te mudam. E as pessoas começam a notar isso porque você para de dizer o que elas querem ouvir. Aí é preciso se manter firme no que acredita que seja você, porque caso o telhado desmorone ainda haverá o chão pra te segurar e as estrelas pra contemplar.”
— Pedro Cabral, HOJE VAI NEVAR

“Hoje vai nevar. Bem aqui, no país tropical. E não foi só um sonho, eu sei que vai nevar, não pelo desejo de querer um dia triste, mas pela vontade de ter algo diferente. Hoje vai nevar, hoje vai nevar, hoje vai nevar. Eu repito quantas vezes for necessário e vai acontecer porque eu acredito. A gente ainda vai sentir a neve, você vai ver. É gelada, eu sei, mas não custa nada experimentar o novo. Eu te esquento se preciso, assistimos um filme caso a gente fique preso em casa, mas tem que nevar. Você me entende? Espero que sim… É meio maluca essa vontade, é até sem fundamento, eu sei, eu sei, só que se nevar eu vou sentir paz. Eu vou poder ver algo diferente pela janela, saber que nem tudo na vida é rotina, é ficar parado, olhando pros lados e aceitar tudo. Hoje vai nevar, mas caso não ocorra hoje, um dia eu faço.”
HOJE VAI NEVAR, Pedro Cabral

“Eu li uma vez que você merece o que você permite os outros fazerem contigo. Em parte isso é verdade, a única coisa faltando é que você é responsável por sua própria martirização e degradação e se você permite a si mesmo fazer isso então os outros terão liberdade pra fazer o mesmo contigo.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Eu não sabia ler. Eu não sabia ler seus olhos, não sabia ler suas mãos, não sabia ler teu corpo. Eu me senti um completo analfabeto em relação à você. Não sabia como fazer você sorrir, a hora de te puxar pra perto e dizer que tava tudo bem, brincar com seus dedos quando você estivesse nervosa, simplesmente não sabia. Você foi, e ainda é, o livro mais bem escrito que achei na prateleira e foi isso que me prendeu tanto a ti, foram as tuas palavras difíceis e teus enigmas entre cada linha que me deixaram assim, instável, inútil. Era como se eu precisasse de um dicionário diferente pra cada ato e palavra sua e ainda assim nenhum deles iriam conseguir explicar com precisão. Você era um amontoado de ideias distintas e desconexas, mas ainda assim fingia te entender. Você me deixou tão analfabeto a ponto de não conseguir ler mais ninguém. Nem a mim mesmo.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Foi embora; levou consigo tudo que era dela: uns cds antigos, escova de dente, umas jóias e ela mesma. Nunca foi de ninguém, apenas pertencia-se.”
— Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Você foi uma das perguntas mais difíceis que já me fizeram. E também uma das respostas que eu preferia não saber.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Nós nunca daríamos certo, e você sabe disso. Sussurros de pé ouvido, entrelaçar nossas mãos, cinema de vez em quando… Relacionamentos não são feitos disso. A verdade é que quero brigar contigo, só para cinco minutos depois te abraçar e implicar com seu jeito de falar, quero ter todas as razões para simplesmente dar as costas e ir embora, mas ainda ter aquela única razão que acima de qualquer outra me faria ficar porque eu saberia que não encontraria outra pessoa igual a você. Faltaria algumas faíscas, abrir algumas portas, incendiar alguns prédios, eu não sei. Eu só queria fazer algo estúpido com você, sem aquelas besteiras de casais, apenas nós dois. E então eu prometeria à ti que iria conhecer teus pais, daria uma chance à todos os seus amigos e diminuiria o ritmo, apenas por você. O problema é que paramos antes mesmo de pisarmos no acelerador.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“A saudade vai amargar teu café, assim como vai manchar os lençóis da sua cama. Vai entender que não será qualquer um que irá te olhar de manhã e fazer você se sentir a mulher mais linda do mundo ou que saberá fazer ovos mexidos do jeito que você gosta. A verdade é que você vai se dar conta de que aquele filme que assistimos há um mês atrás só teve graça porque você estava comigo e mais ninguém.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“É engraçado a necessidade que temos de ouvir um “obrigado”, “tô com saudade”, “você me faz bem” ou, até mesmo, “eu te amo”. Tem graça porque não importa que a gente saiba que são da boca para fora, apenas é gostoso de se ouvir, faz bem se enganar um pouco de vez em quando, nem que seja apenas acender um fósforo no escuro.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Eu não gosto de programar coisas, ligar mais cedo, organizar uma saída dias antes. Eu gosto do inesperado, ligar quando der vontade, abraçar quando preciso, sem programa para me prender, gritar pro mundo que eu tô vivo. Tô vivo e tô vivendo. Não vale a pena parar o mundo por um cadarço desamarrado, um laço desatado, um coração quebrado. Toma um café, faça um cafuné que o resto simplesmente vem.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“E sabe, tenho medo de cair na rotina. Aquela coisa ordinária de acordar, envelhecer a alma a cada segundo que passa e voltar a dormir com aquele arrependimento de não ter sentido pelo menos um frio na barriga. Me atormenta o pensamento de que a vida passou e eu só quis que ela voltasse.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Quero lençol bagunçado, café na cama, cortinas bem abertas. Quero abraço apertado, mordida na bochecha, beijo demorado. Quero banco do passageiro ocupado, cinemas às quatro, tempo para nós dois. Quero seu riso estampado, seu cheiro espalhado, nossa música na rádio. Quero pintar nossa casa da mesma cor do nosso laço, colar você no meu abraço, fazer amor. Quero sussurrar no teu ouvido, ouvir seu pior ruido, que você seja meu livro mais lido. Quero, acima disso tudo, você numa sexta feira a tarde sem preocupações, nós a sós, dividindo nossas vidas em uma só.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“4:57. Provavelmente já era minha terceira garrafa de whisky e o sono parecia não vir. Ficava encarando o teto, sentindo a brisa gelada que vinha da janela do meu apartamento. De alguma maneira aquela manhã cinzenta me lembrava você, e tudo o que eu mais queria fazer era ligar para você e foram necessário mais de dois litros de álcool para isso. Admito, demorei para achar seu número em meu celular, minha visão estava turva e não conseguia raciocinar corretamente. Meu estômago parecia se contorcer cada vez mais à media que ouvia o som da chamada. “Alô?” - você disse com a voz num tom cansado e um pouco rouco - “Você têm alguma ideia de que horas são?”. Eu não sabia o que responder, tudo o que me venho a cabeça foi uma única pergunta: “Por que ele?”. Passaram-se dois minutos e aquele teu silêncio me atormentava. “Que tipo de pergunta é essa? E por que você me ligou esse horário? Aposto que andou bebendo de novo… Odeio quando faz isso.” Não conseguia processar o que ela falava, só queria saber a resposta daquela maldita pergunta. “Só me diz, por favor, por que ele?” Nunca fui tão masoquista quanto naquele momento, senti minhas mãos frias e o gosto amargo da bebida impregnado em minha boca o que só fazia piorar a situação. “Por que ele? Primeiro, ele não me liga às 5 da manhã bêbado perguntando sobre coisas desconfortáveis. Ele também não chega atrasado quando marcamos de nos encontrar, ele segura minha mão quando assistimos filmes, ele não reclama das minhas manias, não desconta fracassos, perdas ou estresses em cima de mim. Ele me faz cafuné quando sentamos no sofá, me liga só para ouvir minha voz e eu gosto do jeito que ele olha para mim e logo depois sorri. Gosto dele porque ele é o oposto de você. Era isso que você queria ouvir?” Foi como se o chão não mais existisse e aquelas palavras tivessem me sufocado de uma maneira inexplicavelmente desesperadora. Ele é o oposto de você. Eu fui a pior coisa que já aconteceu na vida dela e tudo o que consegui pensar foi “desculpa”, mas eu sabia que aquilo não mudaria em nada. “Ainda tá aí?”, tive vontade de falar que naquele momento eu estava morto. Havia me entorpecido por completo. Não sentia mais o gosto da bebida, a brisa vinda da janela, nada. Fiquei alguns minutos em silêncio e observei o sol nascendo, clareando aquela manhã cinzenta. “O sol já nasceu… Significa que você não precisa mais se preocupar com as noites de chuva, assim como eu, elas não mais existiram.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO

“Acho que meu erro foi transbordar demais aquele amor, tê-lo vivido com toda aquela intensidade, me afogado. Amei nós dois sozinho e você nem se importou com isso.”
Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO